5 de junho de 2012

A Europa te chama!

Depois de muito planejamento, é hora de mais uma viagem pela Europa, afinal, aproveitar a facilidade que é viajar dentro do continente é fundamental. Pensei desta vez em fazer um mochilão por vários lugares, sem muitas anotações, sem muitas reservas ou sobreavisos, apenas jogar a mochila nas costas e, de fato, viajar na minha própria companhia.

Conhecer pessoas pelo caminho não é uma hipótese, é apenas uma permissão que você dá a si mesmo. Viajar em grupo é muito divertido, mas desta vez quis mesmo fazer tudo ao meu próprio tempo, meu ritmo, minha pressa.

Para quem mora em países da Europa Central, sobretudo a Alemanha, se deslocar para os outros países é infinitamente mais fácil e se tiver medo de avião, não tem problema, há várias conexões de trem para todos os países que fazem fronteira. Pode não ser tão agradável para o seu bolso, uma vez que custará muito mais e também te fará perder horas dentro do vagão, horas essas que poderão não ser perdidas se você souber aproveitar a ocasião. Depois de desembarcar no aeroporto de Bratislava, Eslováquia, e ter, junto com um jovem japonês que encontrei perdido na avenida principal da cidade e que logo tratei de pedir para tirar uma foto minha e assim puxar conversa, conhecido a cidade em pouco mais de quatro horas (acreditem, você não precisará mais do que isso para conhecer Bratislava), resolvi pegar o trem para ir para a Hungria. A minha intenção era conhecer o máximo do leste europeu, que é apaixonante, convidativo e, importantíssimo: barato! – só para não esquecer: a cerveja em Praga, República Tcheca é muito barata, equivalente a centavos de EURO, além de muito saborosa também, é claro.

Dentro do trem havia um clima morto. Os trens do leste da Europa são bem mais velhos, e por isso, esse ar de tristeza dentro deles. Os de Paris também são bem antigos, mas, apesar disso, em cada vagão há alguém tocando algum instrumento musical tornando assim a viagem muito mais agradável. Apesar do clima dentro do trem, não pude deixar de notar duas jovens conversando. Não tinha conseguido identificar o idioma, apenas os tons que utilizavam, muito altos e baixos ao mesmo tempo, típico das língua latinas. Me aproximei e fiquei literalmente ouvindo a conversa alheia que, para minha surpresa era espanhol, do México. Então, apenas aguardei uma oportunidade para me intrometer na conversa da forma mais brasileira possível, ou seja, sem um pingo de vergonha na cara e com um sorriso largo. Me apresentar como brasileiro foi crucial para que eu conseguisse conquistar a atenção delas e, assim, amenizar a tensão da viagem de duas a três horas de duração naquele trem macabro. Uma delas morava no Brasil, onde fazia faculdade. A outra morava no México mesmo, mas sempre visitava o Brasil. Ambas, amigas, estavam apenas viajando pela Europa, fazendo mochilão, tirando fotos, conhecendo pessoas, comendo muito… – cada uma estava com dois pacotes de fast food, um deles sendo devorado naquele instante – e eram macérrimas! Se fosse nos Estados Unidos, apenas um McLanche feliz era o suficiente para te deixar obeso!

Enfim, depois de todo o portuñol que gastamos durante o trajeto, finalmente chegamos à estação central de Budapeste. A chegada foi meio conturbada porque mal descemos do trem e os trocadores de dinheiro avançaram em cima da gente como formigas em grãos de açúcar para nos oferecer uma cotação bem barata para trocar nossos euros pela moeda do país. Detalhe importante: feliz ou infelizmente, os países do leste não adotam o euro. A desvantagem disso é que é muito incômodo você ficar trocando de moeda a cada 500 km de deslocamento, sem falar que você geralmente acaba com os bolsos super carregados de muitas moedas, ou com notas enormes que nem cabem na sua carteira. Lembre de comprar uma carteira que caiba cédulas de vários tamanhos. Por outro lado, a vantagem desses países não adotarem a moeda da comunidade européia é que o custo de vida é bem mais barato, com uma moeda bem mais leve e você ainda fica super fera em fazer cálculos de cabeça porque os números (não os valores) sempre são muito altos, por exemplo, o que custa 5 EUR, pode custar 400 koroas em países do leste, sendo o valor real equivalente, é claro. Numa viagem assim é bom ter em mente uma moeda base que, neste caso, pode ser o EURO mesmo. Não importa para onde você vai e em que moeda você estará gastando. Baseie-se no euro para saber se está economizando ou não.

Mesmo com as ofertas maravilhosas dos trocadores, achamos melhor e mais seguro trocar nosso dinheiro numa casa de câmbio. Geralmente, as casas de câmbios que ficam nas estações centrais ou aeroportos costumam cobrar mais caro pela troca. Aconselho a andar um pouco pela cidade que, com certeza encontrará ofertas muito mais em conta.

Dinheiro no bolso, hora de conhecer as cidades Buda e Peste e explorar tudo ao máximo. Sem pressa, afinal, ainda faltavam uns quatro dias para o Réveillon, então, podia ir conhecendo a cidade aos poucos. Mas as duas mexicanas tinham que correr, pois, no dia seguinte teriam que ir para Paris. Assim, nos separamos.

A pior parte de se viajar sozinho é que você não tem quem tire suas fotos e você acaba com sua câmera carregada de fotos de perfil tiradas por você mesmo. Como era inverno, não havia tantas pessoas assim nas ruas para pedir esse favor.

Depois de muito caminhar, com a mochila nas costas, com muitas roupas de frio, sapatos bem pesados, resolvi procurar um lugar para dormir. Tinha anotado nomes de alguns albergues mais conhecidos e indicados por outras pessoas que já estiveram na cidade. Peguei o primeiro da lista, que coincidentemente era o mais próximo de onde eu estava, e fui até lá esperando que houvesse vagas. Minha mãe sempre dizia que pegar sereno podia me deixar com resfriado. Imagine o que ela diria se soubesse que não havia vagas e a temperatura era 0º?

Para minha sorte, havia vagas e, para minha sorte mais ainda, quem estava no balcão da recepção fazendo o check in quando eu cheguei? Exato! As duas mexicanas. Que legal, já me senti em casa. Brasileiro logo se espalha como de costume. Ficamos os três no mesmo quarto que tinha capacidade para seis hóspedes. Conversamos bastante sobre o México, sobre o Brasil e trocamos e-mails, tivemos aula de samba… (essa é outra história, rs) Não fizemos planos para o dia seguinte, apenas apagamos sem lembrar no dia seguinte do que conversávamos.

No dia seguinte, acordei cedo e, como elas ainda estavam dormindo, apenas deixei um bilhete dizendo “adorei conhecê-las, espero que o acaso nos leve ao encontro pela terceira vez. Abração” e fui continuar a explorar a cidade.

Apesar do meu plano de passar a virada do ano em Budapeste, eu já estava enjoado daquele lugar. A cidade é muito maior e mais interessante que Bratislava, inegavelmente. Mas, também não é tão grande assim para que eu possa ficar explorando coisas novas por dois dias inteiros sem repetí-las. Resolvi então mudar o rumo da viagem e passar o réveillon na Alemanha com alguns amigos. Mas como fazer para chegar na Alemanha agora? Me recuso a comprar ticket de trem de última hora, sempre sai caríssimo. O jeito é ir de carona.

Na Europa existem vários sites onde você pode anunciar para onde está indo e se há lugares disponíveis no seu carro para carona e quanto você cobrará. Peguei um desses anúncios, liguei e marquei a minha carona para o mesmo dia. Desse modo, paguei 30 euros para ir de carro razoavelmente confortável de Budapeste até Munique, na Alemanha. A viagem foi muito divertida, já que além de mim, duas outras pessoas também estavam pegando carona: um japonês e um jovem alemão. O trajeto foi regado a conversa sobre os filmes e programas japoneses que fizeram muito sucesso no Brasil na década de 90. Ele achava que aqueles programas e desenhos já haviam sido extintos há séculos. Mas, para sua surpresa, brasileiro se apega muito às coisas.. rs.

Finalmente, München. Cidade muito bela. Já havia visitado várias vezes quando morava na Alemanha. Feliz por estar de volta e rever aquelas ruas e praças tão legais. Feliz também por comer a comida turco-alemão que tanto gosto: dönner (não deixar de experimentar!). Mas ainda não era o meu destino final para o réveillon. Tinha que chegar ainda em Stuttgart e faltava apenas um dia e meio para o ano novo.

Trem somente em último caso, então, mais uma carona. Encontrei fácil uma carona até Stuttgart por apenas 10 EUR. Essa não foi tão agradável assim por que apenas eu estava viajando com o motorista, um senhor de idade já que estava indo para Stuttgart para passar os festejos com sua família. Apesar de parecer meio ranzinza, a gente conseguiu conversar um pouco.

Stuttgart, capital do estado de Baden-Würtemberg, minha casa por um bom tempo. Agora, apenas para matar a saudade, rever os amigos e ter uma ótima celebração de ano novo. Às vezes me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse decidido continuar com o plano original de passar o réveillon em Budapeste, sozinho e com frio. Não acho que seria tão bom assim. Posso apenas dizer que aquele ano foi memorável pela audácia em fazer uma viagem tão louca e surpreendente por não ter gasto nem a metade do que gastaria se meu trajeto fosse feito completamente de trem ou mesmo avião.

Então, gente, fica a dica para vocês que querem viajar bem e barato pela Europa. É possível, basta não ter medo. Espírito mochileiro, coragem e internet é, na maioria das vezes tudo que você precisa para ter experiências fantásticas que jamais serão apagadas. Ou as histórias que vocês contarão para os seus netos vão ser acerca de quantas conexões de avião ou trem vocês tiveram que fazer? Chato demais, eu prefiro com emoção.

Textos e Fotos: André Oliveira.

Administrador e Editor Geral do conteúdo do Blog. Graduado em Letras com Inglês, formação técnica em Turismo e Hotelaria, com certificação internacional pela International Cultural Center (ICC); É apaixonado pelo aprendizado de línguas estrangeiras. Fala Inglês e Espanhol. Adora viajar de forma independente, mas, sem dispensar a companhia de sua companheira, e sua grande admiradora, a mãe!

Uma Resposta para “A Europa te chama!”


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    Johnnie Lustoza
    Responder 18. fev, 2014 at 14:27

    Bem legal o seu relato. Preciso fazer mais dessas coisas, dessas viagens sem muita formalidade. Show de bola. Parabéns pelo post.