10 de agosto de 2010

Jean Charles não é um herói

Olá, leitor

Em resposta ao artigo Jean Charles e nossa ilusões estrangeiras, que o nosso leitor, André Oliveira nos traz o seu ponto de vista sobre o caso.  Prezando por informações relvantes para o nosso público alvo, você, leitor, que abrimos o espaço para eventuais contribuições.

Sinceramente, gostei muito do texto. Entretando, não posso deixar de dar a minha opinião sobre o assunto.

O ponto de vista do texto é, claramente, de um brasileiro que nunca saiu do Brasil (ou pelo menos nunca esteve em Londres) e assim tem como referência para falar do assunto apenas o que a mídia publica, como no caso do filme “Jean Charles”.

Estive em Londres no mês de Maio deste ano e fiz questão de buscar informações sobre o ocorrido com o brasileiro na terra da Rainha. Também visitei e estação na qual ele foi morto e onde há uma homenagem a ele com frases de consolo para a sua família e frases inocentadoras. Assim, fiquei muito curioso para saber o que haviam dito no filme, agora que já tinha a história do ponto de vista dos nativos do Reino Unido e também pelo que pude ver com meus próprios olhos.

O filme tem como maior objetivo fazer de Jean Charles um herói que merece “adoração” de alguns. Mas muito pelo contrário: de acordo com as minhas pesquisas, o brasileiro estava ilegal no país, o que explica facilmente muitas das suas dificuldades como emigrante não legalizado. O mesmo foi baleado quando foi confundido com um terrorista, mas isso não é tudo. Ele recebeu ordem de prisão quando ainda estava andando na rua que dava acesso à estação de metrô Stockwell e ele, assustado, sabendo que tinha algo a esconder das autoridades, correu para a estação e foi alcançado depois de conseguir descer as escadas e entrar no transporte. Además, o filme mostrava que ele lidava com falsificação de passaportes, o que também não contribui muito para a sua reputação, mas desse fato não tenho certeza, é apenas o que o filme mostra.

Por causa de filmes como esses, muitos brasileiros morrem de medo de serem deportados ou mal tratados pela polícia de um país estrangeiro, como já aconteceu e acontece diariamente com muitos. Mas mesmo assim, cabe dizer que o diretor do filme se preocupou apenas em mostrar o que os brasileiros que nunca saíram do Brasil imaginam como deve ser passar por um controle de migração. A verdade é que qualquer pessoa, não importanto sua nacionalidade ou cor, poderá e muito provavelmente (a depender do país) será mandado embora se o mesmo der motivos para tal. Assim como o protagonista da história do cinema brasileiro, muitos outros vão para países de primeiro mundo buscando uma vida melhor e assim desembarcam em terras estrangeiras sem garantias de emprego ou nenhum vínculo com o país, bem similar aos nordestnos que na década de 70 e 80 migravam para São Paulo achando que lá era a terra prometida. Muitos desses brasileiros que chegam na Europa todos os dias, querem estar vivendo aqui como se estivessem vivendo no Brasil, ou seja, aplicando o “jeitinho brasileiro” em tudo, o que por sua vez, não é correto. O que quero dizer com isso é que ‘uma vez na Europa, faça como os europeus’.

O que poucos sabem é que, no Brasil muitos estrangeiros também são mandados embora por não mostrarem condições suficientes para se manterem no país como turistas.

Por outro lado, é verdade que muitos brasileiros levam uma vida dura por aqui, têm que dividir aluguel com colegas brasileiros, não se integram com a cultura local e ganham apenas o, nem sempre, suficiente para sobreviver. Então, por que sofrer tanto no país dos outros, quando no Brasil eles poderiam levar uma vida bem melhor? Continuar levando essa vida dura que não os vai levar para nenhum lugar tão melhor assim, é uma questão de escolha.

O meu conselho para todos os que queiram seguir os passos de muitas pessoas e assim terem sucesso no estrangeiro é bem simples: não acreditem em promessas exorbitantes. Você não vai ficar rico só porque veio ou vai para a Europa ou para qualquer outro lugar. Comece por aprender pelo menos um pouco da língua local, a cultura, veja as possibilidades de emprego e tenha certeza de que vai ter um quando chegar e verifique os requisitos para entrada no país, isto é, se precisa de visto, dinheiro vivo, cartão de crédito internacional ou qualquer outra garantia de que você não vai ficar ilegal no país e que tem um objetivo a cumprir e voltará para casa depois de concluir os planos. Depois disso, se seus planos mudarem e você tiver a possibilidade de permanecer legalmente no país, vai ser apenas o resultado de ter feito tudo como manda o figurino.

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Texto e Foto: André Oliveira

Administrador e Editor Geral do conteúdo do Blog. Graduado em Letras com Inglês, formação técnica em Turismo e Hotelaria, com certificação internacional pela International Cultural Center (ICC); É apaixonado pelo aprendizado de línguas estrangeiras. Fala Inglês e Espanhol. Adora viajar de forma independente, mas, sem dispensar a companhia de sua companheira, e sua grande admiradora, a mãe!

Uma Resposta para “Jean Charles não é um herói”