10 de maio de 2010

Brasil, que país é esse?


País da diversidade cultural, étnica e lingüística.
Pode misturar!
República Federativa do Brasil Diversidade. O registro civil do Brasil – se este o tivesse -, seguramente apresentaria o sobrenome que mais traduz a sua identidade e o seu legado: Diversidade. Mas, o Brasil sendo um país jovem e, como é costume dos jovens questionarem a sua formação, ainda não aceitou por completo essa Diversidade. Provido da mistura de povos, este é o povo brasileiro: “O vermelho nativo uniu-se à negritude vinda de outras terras maculando o branco hostil que explodiu em um ofuscante matiz chamado Brasil.”. Os costumes, culturas, etnias foram benéficas contribuições oferecidas, mesmo que inconscientemente, por estes povos que deixaram suas marcas em nossa história. Estas marcas fizeram com que, aos poucos, o Brasil pudesse conscientizar-se dessa identidade e imprimi-la para o mundo – sem que isso queira dizer que essa identidade esteja solidificada ou longe de questionamentos, pelo contrário.
Contudo, a configuração do território brasileiro foi determinada pelas fases vividas a partir do século XV. Estas foram divididas pela produção de cana de açúcar, café e mineração, atividades econômicas que visavam exclusivamente à produção e ao lucro da corte portuguesa. Quando Portugal soube, de fato, que a nossa nação possuía terras férteis e que as condições climáticas eram favoráveis, os portugueses começaram a enxergar o Brasil como um grande produtor de matérias-primas. O Brasil era, em realidade, um grande diamante, ainda bruto, no meio do Atlântico. E, para lapidá-lo foi preciso muito mais do que grandes máquinas ou um sem número de ferramentas. Foi necessário pensar o Brasil não como pólo produtor de matérias e produtos apenas, mas como nação.
Essa mudança de pensamentos e percepções acerca do Brasil aconteceu depois na vinda da família real portuguesa. Quando aqui chegaram, a família real e sua grandiosa corte viram o Brasil como uma terra selvagem, povoada por pessoas que não tinham conhecimento algum sobre comportamento, organização e limpeza. Mas, depois de mais de uma década vivendo em solo brasileiro, a percepção sobre o país mudou drasticamente, como verificamos em fala de Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, arquivista real da corte portuguesa, que foi um entre muitos a escolher o Brasil como morada depois da volta da família real a Portugal. Vemos nas falas de Marrocos o contraste de percepções sobre o Brasil no momento em que chegou e depois, quando já se havia estabelecido em sua nova terra:

A gente é indigníssima, soberba, vaidosa, libertina; os animais são feios e venenosos. […] Estou tão escandalizado com esse país, que dele nada quero, e quando daqui eu sair, não me esquecerei de limpar as botas nas bordas do cais, para não levar o mínimo vestígio desta terra […]. (In GOMES, p. 338, 2009)
A aversão a este país […] é um grande erro, de que há muito me considero despido. (idem)

A visão de Marrocos, assim como a de muitos, até hoje, mudou, a partir do momento em há a percepção do Brasil como nação, como cultura e não como terra a mercê de colonizadores. Depois de sua independência, o Brasil começou a exportar não só os produtos que costumava comercializar, mas também e, sobretudo, deu início a um largo processo de exportação de cultura. No século XIX, o Brasil começou a sua produção literária com identidade brasileira, abordando conteúdos que exaltavam as suas belezas naturais e a condição indígena que, até então, eram elementos indignos de figurar em romances e poemas.
Já no século XX, o Brasil intensificou essa exportação cultural a tal ponto que artistas como Carmen Miranda têm o papel não só de divulgar a cultura brasileira no exterior como de ajudar o país a manter relações políticas estáveis durante grandes guerras. A música, também, rompeu barreiras e estreitou fronteiras culturais, como fez a Bossa Nova, por exemplo. João Gilberto e Tom Jobim tornaram-se professores de músicos até então considerados os melhores do mundo. E o que dizer do futebol? Depois de mais de trinta anos de sua retirada dos campos, Pelé continua sendo o ídolo mundial do futebol, considerado o melhor de todos os tempos. As telenovelas brasileiras, e não é possível esquecermos delas, são premiadas e largamente exportadas a países de todos os continentes. Isso sem esquecer das festas populares, que tem sua representação maior no carnaval, e que, a cada ano, atrai milhares de pessoas do mundo inteiro interessadas em ver esse espetáculo cultural.
Como se não bastasse, a transição entre os séculos XX e XXI, na chamada “era da globalização”, alavancou ainda mais a nossa exportação de cultura. Se pensarmos que a moda brasileira ganhou espaço no mundo, que organizamos semanas de moda com qualidade elevada e produção inteiramente nacional, que sediaremos, em 2014 a Copa do Mundo e em 2016 as Olimpíadas, entenderemos que não existe cordão de isolamento entre nosso país e os demais. Hoje, estamos sendo descobertos por nós mesmos.
Com todo esse cenário a nosso favor, com boa parte do preconceito que sofremos durante anos por sermos colônia portuguesa ter se desintegrado, com nossa identidade afirmada perante as outras nações, agora é momento de refletir sobre essa nova era, que foi rotulada por uma questão política como “país emergente”. Estamos emergindo desse mar de desdém e pré-conceitos em que permanecemos mergulhados durante séculos. Mas há que se pensar para onde aponta o nosso norte. Que futuro terá essa nação tão promissora? Não é possível, porém, pensar em um futuro se não estivermos focados no presente. O incentivo à formação de profissionais que cuidem do patrimônio material e imaterial é de fundamental importância, bem como a educação da popula
ção para que se conscientize da história da qual são protagonistas. Medidas como levar o povo a conhecer seu bairro, sua cidade, seu estado e consequentemente o seu país é primordial. Quando conhecemos o chão que pisamos e vemos que fazemos parte desse organismo histórico e cultural, nossos sentimentos atávicos se manifestam de forma latente e não é necessário que peçam para que defendamos o nosso habitat. O fazemos de forma natural, serena e, sobretudo, consciente.
*Texto escrito por: Ana Carla Nunes (acnpereira@hotmail.com) Beatriz Badim de Campos (biacampos@globo.com) e Cidilan da Apresentação Silva ( cidilan_04@hotmail.com).



Referência bibliográfica: GOMES, Laurentino. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

Administrador e Editor Geral do conteúdo do Blog. Graduado em Letras com Inglês, formação técnica em Turismo e Hotelaria, com certificação internacional pela International Cultural Center (ICC); É apaixonado pelo aprendizado de línguas estrangeiras. Fala Inglês e Espanhol. Adora viajar de forma independente, mas, sem dispensar a companhia de sua companheira, e sua grande admiradora, a mãe!

2 Respostas para “Brasil, que país é esse?”


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    Anonymous
    Responder 29. jun, 2010 at 16:12

    qual é o ritmo da musica : que pais é este ???

    presciso pra um trabalho


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    Cidilan Silva
    Responder 29. jun, 2010 at 18:27

    Olá, tudo bem!?

    Este texto, "Brasil, que país é esse?" nada tem haver com a música, a não ser o título. Contudo, aconselho que busque quem canta a música, e a partir disto, você chegará no ritmo.

    Espero ter ajudado!