30 de janeiro de 2009

Adaptação: Moeda, idioma e novos amigos

Antes de viajar para Buenos Aires, estudei um ano em um Centro Social próximo a minha casa. Desde São Paulo, encontrei pessoas no ônibus próximos a minha poltrona, parecia que eram do Paraguai ou algo parecido, tentava entender o que falavam, e por alguns momentos pensei que se tratasse de brasileiros em uma típica conversa. Já no outro ônibus em direção a Buenos Aires, conheci uma argentina que vivia no Brasil há muitos anos através de minha mãe. Que tratou logo de puxar uma conversa com ela.
O primeiro contato que realmente tive com a língua (espanhol), foi em uma parada, onde minha mãe pediu para que eu ajudasse-a a comprar um cafezinho da máquina.
Entramos na loja e disse:
Eu- Hola, Buenas Noches? Puede ayudarme?
Ela- Sí, que quieres?
Eu- Quiero un Café, tiene acá?
Ela- Sí, solo necesita de un peso.
Eu- Pero, nosotros no tenemos pesos argentinos, solo en reales.
Ela- No hay, problemas… Tiene una persona que cambia las monedas allá. (Apontando
Em direção a uma cabine do lado de fora)
Fomos a sua direção (cabine), iniciamos o diálogo novamente. Compramos o peso necessário, com 1 real compramos 1,35 pesos argentinos, a cotação lá era de 0,75 centavos. Confesso que se ele quisesse nos dar menos, aceitaríamos pensando que estava certo, mas o argentino tinha cara de honesto.
Imagem 966
(Foto tirada na voltar ao Brasil, parada do ônibus da Pluma Internacional)
Durante a noite, em mais uma parada do ônibus desci com o mesmo propósito, a compra de café com leite para minha mãe. Ela decidiu permanecer no ônibus descansando por conta do frio, fui até o balcão do rústico, aconchegante e agradável lugar. Um garoto estava no balcão, expliquei para ele que não possuía pesos, e de imediato ele perguntou, que moeda eu possuía em mão, disse que possuía reais. Ele com uma cara esquisita, disse: 1 real por 1 peso, fiquei abismado com aquilo, eles possuíam uma cotação totalmente diferente da primeira parada, eles estipulavam quanto a moeda valia. Sem mais, dei uma desculpa que buscaria mais dinheiro, e não voltei.
Depois de relatar o ocorrido para minha mãe, desci do ônibus e comecei a conversar com duas francesas, e com um Alemão, até aí conversávamos em Inglês, mas logo se juntou ao nosso grupo um argentino, que estava vivendo no Brasil, isso foi o estopim para que começássemos a falar em espanhol, é claro que eu não sabia muito bem o que dizer, e por momentos não entendia sobre o assunto que conversavam.
Fiz amizade com o alemão, que na parada (onde os ventos, são iguais aos dos filmes de faroeste) seguinte sentou-se ao nosso lado, e advinha o que ele pediu? Pão com salada e lingüiça, comida típica da Alemanha. Conversamos muito, e às vezes eu mesmo me enrolava com os pensamentos. Conversei bastante nos últimos quilômetros da viagem, com uns argentinos, uma senhora chamada Matilde passou todo o caminho conversando, e eu tratando de aprender e praticar o espanhol para chegar em Buenos Aires um pouco mais seguro.
Nos últimos metros, me despedi de todos, dizendo "Feliz Navidad y feliz Año Nuevo" (Feliz natal e um feliz ano novo)… Só vivemos grandes coisas quando nos permitimos vivê-las.

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